Caso Adelir: O Supra-Sumo da Violência Obstétrica


Algumas considerações: 1) A OMS orienta que, mesmo em casos em que o nascimento deva ocorrer por via cirúrgica, a mulher entre em trabalho de parto antes, para a mulher e o feto poderem beneficiar dos hormônios que favorecem a amamentação e o vínculo (salvo em raríssimas excessões, como em caso de placenta prévia).

2) A Medicina Baseada em Evidências já provou ser mais seguro o parto normal após cesária. A cada nova cirurgia, os riscos aumentam significativamente para a mulher e para o bebê (recomenda-se um limite máximo de 3 cesarianas na vida da mulher, a quarta MUITAS VEZES termina em UTI e/ou histerectomia). 3) O bebê estar sentado não justifica fazer uma cesariana. E muito menos uma cesarea sem entrar em trabalho de parto. Bebês pélvicos podem nascer pélvicos, ou podem ser virados através de uma manobra chamada Versão Cefálica Externa. 4) Cordão enrolado acontece em praticamente 40% dos bebês e NÃO MATA. Só profissionais que não entendem nada de fisiologia fetal é que acham que cordão enrolado mata. 5) Neste caso específico, foi utilizado também o argumento de que Adelir estava com 42 semanas de gestação, o que em si não é uma indicação para cesariana. Porém, este fato foi desmentido com a publicação do resultado da última ultrassom de Adelir, que aponta 40 semanas. (Sim, a médica mentiu!)

6) Em caso de Parto Normal, os protocolos do Ministério da Saúde orientam a internar as mulheres apenas em trabalho de parto ATIVO, com contrações eficazes e próximas e com pelo menos 4 cm de dilatação. Estes mesmos protocolos prevêem que mulheres que se dirijam ao hospital precocemente sejam orientadas a voltar para casa e esperar o trabalho de parto engrenar.

7) No Brasil, os direitos do nascituro não são uma realidade (o projeto de lei está em tramitação mas não foi aprovado). O bebê só passa a existir como cidadão e ter direitos APÓS o nascimento. Então NUNCA, JAMAIS os direitos inexistentes do nascituro superarão os direitos da mulher de decidir sobre seu próprio corpo. 8) No Brasil, o parto hospitalar não é obrigatório (até porque o Brasil não tem hospital para todo mundo, e a rede hospitalar existente é incapaz de dar conta de todas as parturientes). As mulheres têm DIREITO de terem seus filhos onde desejarem. 9) No Brasil, a polícia não tem o direito de entrar na casa de um cidadão durante a noite, mesmo com mandato judicial. Existe um protocolo para isso também. 10) O termo de responsabilidade, ou termo de recusa esclarecida, quando assinado pelo paciente, torna-o responsável por qualquer consequência decorrente de suas decisões. Isso significa que o médico está isento de responsabilidade legal. 11) O paciente tem o direito de pedir uma segunda opinião médica, assim como ser plenamente informado de seu quadro clínico e participar das decisões médicas a respeito de seu tratamento. Em última instância, a escolha do médico e a escolha por se submeter ou não a qualquer procedimento médico é DO PACIENTE. Realmente, NADA justifica o que aconteceu no caso Adelir. Foi um festival de más práticas médicas e legais, e sim, foi uma RETALIAÇÃO ao que foi considerado "uma falta de respeito à autoridade médica" (contestar a indicação altamente questionável de cesárea, pedir uma segunda opinião com médico de sua escolha, pedir para assinar um termo de recusa esclarecida diante da pressão pela cesárea imediata e ir para casa esperar o trabalho de parto ativo engrenar para só então ir para o hospital). Até quando vamos colocar nossas vidas nas mãos de profissionais desatualizados, sem ética alguma e sem limites? Até quando os órgãos fiscalizadores vão continuar defendendo os interesses da categoria médica acima da própria vida dos pacientes? Até quando?

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